Sô Nêgo - O som da estrela guia


Seu Djalma Martins de Oliveira, mais conhecido como Seu Nêgo, é um construtor. Mesmo tendo trabalhado muitos e muitos anos na construção civil, "batendo laje" (como se diz), nunca deixou de construir e arrematar suas caixas de folia, para que as guardas, folias e artistas da região pudessem continuar "batendo caixa".

 Seu Nêgo começou a fabricar seus tambores aos 16 anos, para uso próprio. Depois disso não parou mais de fazê-los. Hora ou outra interrompeu sua atividade de artesão de tambores, por causa da dificuldade de conseguir matéria-prima, ou pela falta de procura dos instrumentos. Hoje, aos 72 anos, Seu Nêgo vem ganhando o reconhecimento mais do que merecido, e vem tentando se dedicar exclusivamente ao fabrico das "caixas de folia", junto de seu sócio e aprendiz, Marcelo Rabelo.

O reconhecimento da importância do trabalho de Seu Nêgo há de ir muito além da atenção sempre passageira da mídia tele - jornalística local. Entender a importância do trabalho de um artesão como ele, é saber quão difíceis são os caminhos que andam na contramão da modernidade. Seu Nêgo, há mais de 50 anos, vem munindo várias gerações de Folias de reis, ternos de Reinado, artistas e músicos locais com seus tambores. Sem seu trabalho, dezenas e dezenas de guardas já teriam abandonado os tons surdos dos tambores do Congado, para adquirir instrumentos industrializados (e "carnavalizantes") na loja da esquina. Sem ele, grupos artístico/musicais como Vó Cabocla, Virgílio mais nóis, Tambor Divino, Maracatu Amaranto (entre outros) também não seriam os mesmos, não só pela sonoridade dos tambores de Seu Nêgo, utilizados por todos estes grupos, mas também pela simplicidade e musicalidade inspiradas pela figura deste grande artesão.


03/10/2009
Postado por: Guite